Você já ouviu falar em educação flexível?

A palavra flexibilizar surgiu em meio a uma era em que a política e a economia se mantinham conservadoras para se opor a uma estrutura estatal de proteção do trabalho e de proteção social. Mas o que isso quer dizer?

É uma forma de tornar as relações de trabalho, da jornada trabalhista e outros serviços mais flexíveis. A ideia defendida faz com que as pessoas pensem que ser flexível significa ter autonomia, livre escolha, espaço de criatividade e inovação.

Tenho certeza que você deve estar se perguntando, mas isso não é bom? Seria ótimo se essa ideia funcionasse de verdade, entretanto, existem os dois lados da moeda.

Estamos na era em que a tecnologia e a internet tem cada vez mais transformado o mundo, tornando possível novas relações de trabalho e de educação. É esperado que a sociedade acompanhe esses avanços e aproveite o que tem de melhor em seus serviços.

Mas existem certas instituições sociais que mantêm resistências as mudanças, o sistema escolar público, por exemplo, continua lento para acompanhar as mudanças e inovações que ocorrem no mundo. Mas isso é um problema que sempre existiu na educação brasileira, ela é lenta e burocrática.

É um problema do sistema da gestão escolar, que é claro não é ingênuo e muito menos neutro. Temos uma escola antiga em pleno século XXI, para quem gosta de colecionar relíquias a escola brasileira pode ser uma boa opção.  Infelizmente não é fácil e não queríamos dizer isso, mas é a realidade que vem sendo vivenciada.

Com a flexibilidade da educação é possível ter uma educação do futuro?

Talvez sim, se tivéssemos condições necessárias para isso, sobretudo, em manter a qualidade do ensino. É claro que já existem empresas e organizações que conseguem implantar uma educação flexível.

Como por exemplo algumas instituições já são adeptas a educação a distância e afirmam que tem funcionado. O novo formato de ensino funciona sendo 80% a 90% das aulas presenciais, e o restante dos conteúdos são trabalhados via internet por meio de uma plataforma que a instituição de ensino oferece, nela o professor pode colocar exercícios, textos, links, vídeos, qualquer tipo de arquivo, além de poder realizar fóruns de discussões. Legal né?

O problema está no acesso aos meios para que a educação flexível possa ser ofertada com qualidade. A escola pública ainda não dispõe de tecnologia e recursos para ofertar uma educação flexível, não tem acesso à internet, os professores não dominam os conhecimentos tecnológicos, muitos alunos ainda não têm acesso a internet, os professores possuem tripla jornada de trabalho, têm alunos que trabalham e estudam, e entre outros fatores.

Dentro de tantos fatores é preciso estar atento, pois a flexibilidade pode ser sinônima de precarização, instabilidade, desigualdade e má qualidade. Além de jogar a responsabilidade para os profissionais quanto a qualidade do seu trabalho, porque no método flexível o profissional é responsável por se qualificar e dar conta das exigências.

A ideia de que a má qualidade do ensino é culpa dos professores pode continuar sendo reproduzida, quando bem sabemos que existe uma conjuntura de fatores e problemas que resulta nessa falta de qualidade. 

Essa nova metodologia reafirma que o sistema educacional sempre foi pensado para atender a economia com análises reducionistas, propostas imediatistas e de baixo custo.

Pensar em uma escola para o futuro é garantir recursos para mudar as estruturas físicas, garantir materiais didáticos e tecnológicos para os alunos e professores, é rever os conteúdos do currículo, as atividades e cotidiano escolar para apropriá-los para o século XXI.

É pensar na escola como fim para uma formação crítica, autônoma, reflexiva, capaz de desenvolver a criatividade, talentos e desejos dos estudantes para esse tempo. É pensar na educação com a função de formação integral do sujeito, e não pensar como meio de produção.

A escola do futuro deve ser o primeiro lugar onde a inovação científica e tecnológica chega. E nela os estudantes e professores constroem inovações.

A flexibilidade pode ser muito boa, desde que todos possam adequá-la a sua realidade social.